AS DEFINIÇÕES DO CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA
A lógica da construção do conceito de biossegurança, teve seu inicio
na década de 70 na reunião de Asilomar na Califórnia, onde a comunidade
científica iniciou a discussão sobre os impactos da engenharia genética
na sociedade. Esta reunião, segundo Goldim (1997), "é um marco na
história da ética aplicada a pesquisa, pois foi a primeira vez que
se discutiu os aspectos de proteção aos pesquisadores e demais profissionais
envolvidos nas áreas onde se realiza o projeto de pesquisa". A partir
daí o termo biossegurança, vem, ao longo dos anos, sofrendo alterações.
Na década de 70, a Organização Mundial da Saúde (WHO, 1993) a definia
como "práticas preventivas para o trabalho com agentes patogênicos
para o homem". O foco de atenção voltava-se para a saúde do trabalhador
frente aos riscos biológicos no ambiente ocupacional.
Já na década de 80, a própria OMS (WHO, 1993) incorporou a essa
definição os chamados riscos periféricos presentes em ambientes
laboratoriais que trabalhavam com agentes patogênicos para o homem,
como os riscos químicos, físicos, radioativos e ergonômicos.
Nos anos 90, verificamos que a definição de biossegurança sofre
mudanças significativas.
Em seminário realizado no Instituto Pasteur em Paris (INSERM, 1991),
observamos a inclusão de temas como ética em pesquisa, meio ambiente,
animais e processos envolvendo tecnologia de DNA recombinante, em
programas de biossegurança.
Outra definição nessa linha diz que "a biossegurança é o conjunto
de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de
riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento
tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem, dos
animais, a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados"
(Teixeira & Valle, 1996). Este foco de atenção retorna ao ambiente
ocupacional e amplia-se para a proteção ambiental e a qualidade.
Não é centrado em técnicas de DNA recombinante.
Uma definição centrada no ambiente ocupacional encontramos em Teixeira
& Valle (1996), onde consta no prefácio "segurança no manejo de
produtos e técnicas biológicas".
Uma outra definição, baseada na cultura da engenharia de segurança
e da medicina do trabalho é encontrada em Costa (1996), onde aparece
"conjunto de medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas
e psicológicas, empregadas para prevenir acidentes em ambientes
biotecnológicos". Está centrada na prevenção de acidentes em ambientes
ocupacionais.
Fontes et al. (1998) já apontam para "os procedimentos adotados
para evitar os riscos das atividades da biologia". Embora seja uma
definição vaga, sub-entende-se que estejam incluidos a biologia
clássica e a biologia do DNA recombinante.
Estas definições mostram que a biossegurança envolve as seguintes
relações:
tecnologia ---- risco -----homem
agente biológico -----risco -----homem
tecnologia -----risco -----sociedade
biodiversidade ------risco -----economia
Referências Bibliográficas
Goldim, J.R. Conferência de Asilomar.http://www.ufrgs.br/HCPA/gppg/asilomar.htm,
1997.
WHO. Laboratory Biosafety Manual. Geneve: 2.Edition, 1993.
INSERM. Les Risques Biologiques en Laboratoire de Recherche. Paris:
Institut Pasteur, 1991.
Teixeira, P. & Valle, S. Biossegurança: uma abordagem
multidisciplinar. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1996.
Costa, M.A .F. Biossegurança: segurança química
básica para ambientes hospitalares e biotecnológicos.
São Paulo: Ed. Santos, 1996.
Fontes, E.; Varella, M.D.; Assad, A .L.D. Biosafety in Brazil and
its interfaces with other laws. http://www.bdt.org.br/bdt/oeaproj/biosseguranca.htm